Recrutamento e seleção: veja como é o processo por competências

12 minutos para ler

A transformação digital trouxe inúmeros desafios para as empresas, que precisam adotar mudanças rápidas para manter a vantagem competitiva. Em um estudo feito pela Deloitte para identificar as dificuldades dos CEOs (Chief Executive Officers) com a era digital, 72% apontaram que formar equipes de alta performance é o ponto mais crítico.

Neste cenário, o papel do recrutamento e seleção é ainda mais importante, pois, quem realiza as atividades que resultam no sucesso (ou não) da organização são os próprios colaboradores. Quando ele é mal estruturado, a empresa contrata um profissional incapaz de atingir o desempenho necessário.

Porém, ao realizar o recrutamento e seleção por competências, é possível contratar o candidato certo para alcançar essa performance. Neste guia, você vai entender melhor como funciona esse processo, a importância dele para o crescimento do negócio e quais são as ações necessárias para encontrar o tão sonhado perfil ideal.

Acompanhe conosco!

Quais são os desafios atuais do RH 2019/2020?

Não faz muito tempo que as tarefas do RH se resumiam às atividades burocráticas. Mas, com a era digital, essas funções foram substituídas, já que agora é preciso adotar posições estratégicas para liderar as mudanças organizacionais. Isso acontece porque as empresas precisam garantir que os produtos e serviços oferecidos continuarão a atender as necessidades dos clientes.

Sendo assim, enquanto o RH resolve situações complexas e analisa resultados para implantar melhorias, também precisa encontrar profissionais de alta performance, capazes de atender as necessidades da empresa na atualização e manutenção do modelo de negócio. E, depois de encontrá-los, é preciso reter os talentos para garantir a qualidade da mão de obra.

Ao contratar o candidato com o perfil ideal, a empresa garante tanto o desempenho quanto a retenção dos profissionais, uma vez que também estarão alinhados aos objetivos estratégicos. Para alcançar isso, é necessário recrutar e selecionar pelas competências.

O que é recrutamento e seleção por competências?

O processo seletivo por competências é uma prática em que o candidato é escolhido com base nos atributos essenciais para cumprir as funções do cargo e se adaptar à cultura organizacional. Na gestão de pessoas, a competência é compreendida com o acrônimo “CHA”, que resulta no conjunto de 3 fatores essenciais, como veremos a seguir.

C, de conhecimento

O conhecimento refere-se ao saber adquirido pelo funcionário sobre um determinado assunto. Também conhecido como know-how, ele pode ser conquistado tanto por meio do ensino tradicional quanto pela vivência na área. Na prática, significa o quanto o funcionário entende de maneira técnica sobre o que está sendo proposto.

H, de habilidades

Já a habilidade compreende o quanto o colaborador sabe praticar o que aprendeu na teoria. Ela vai além do conhecimento, porque refere-se também aos hábitos desenvolvidos com a repetição da aprendizagem. Ou seja, o funcionário pode entender da teoria mas, é na prática que aperfeiçoa os comportamentos necessários para realizar as tarefas com maestria.

A, de atitudes

Quando dizemos que um colaborador é proativo, é sobre este fator que estamos nos referindo, isto é, a atitude dele ao realizar uma tarefa. Ele até pode ter o conhecimento necessário e, inclusive, saber como fazer, mas se não tiver iniciativa, não fará. Neste sentido, precisa desenvolver ações e querer cumpri-las.

Em um processo de recrutamento e seleção por competências, a empresa identifica quais são os indicadores que correspondem ao sucesso com base nesses 3 fatores. Em outras palavras, define quais os atributos essenciais para compor a formação de uma equipe. Por esse motivo, é tão importante recrutar profissionais com as competências essenciais.

Quais são as competências essenciais para todas as áreas?

Os fatores que determinam quais são as competências em um recrutamento e seleção podem sofrer variações, como segmento da empresa, objetivos futuros e cargos. Porém, existem aquelas que são cruciais, independente da posição do funcionário. Isso ocorre porque são úteis para lidar com os desafios da era digital, além de serem utilizadas em um remanejamento, por exemplo.

Aliás, segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2020, 35% dos atributos exigidos no recrutamento e seleção sofrerão alterações. Com a transformação digital, novas profissões estão sendo exigidas no mercado a cada ano, tornando o processo seletivo por competências ainda mais essencial. Então, vamos conhecer quais são os “CHAs” fundamentais para alcançar resultados nas empresas.

Resolução de problemas

Como os desafios do mundo VUCA, resolver os problemas na organização ficou ainda mais complicado, uma vez que são inéditos, ou seja, não existe um manual de como lidar com eles. Por esse motivo, é essencial ter profissionais com a capacidade de identificar a raiz dos problemas e desenvolver soluções para eles.

O funcionário com essa competência consegue resolver situações complexas utilizando técnicas e métodos ágeis, muitas vezes inovadores. São pessoas que estão em constante aprendizado e antenados com a tendência do mercado sobre o segmento que atuam, contribuindo com a organização ao trazer novas abordagens.

Pensamento crítico

Ter pensamento crítico é o mesmo que ser capaz de estruturar ideias e traçar planos estratégicos. Ao contrário do que alguns possam pensar, essa competência é um conjunto de habilidades que permite ao indivíduo:

  • identificar uma situação ou problema;
  • pesquisar fontes que confirmem as questões apontadas;
  • reconhecer os vieses, olhando o fato por diferentes pontos de vista;
  • tirar conclusões baseadas nos dados apresentados;
  • considerar quais são as informações relevantes;
  • questionar as alegações com as perguntas certas.

Dentro de um cenário de mudanças, ter um colaborador com essa competência pode ajudar a identificar processos, analisar dados e propor melhorias dos produtos e serviços. Sendo assim, ele pode se tornar um ponto de apoio para impulsionar o negócio no mercado.

Criatividade

A criatividade vai muito além da realização de atividades relacionadas a design ou comunicação, por exemplo. Trata-se da capacidade de criar algo novo. Além disso, quando associada à inovação, se torna ainda mais eficaz, porque permite ajustar o modelo de negócios à medida que as necessidades do consumidor se modificam.

Na prática, quando o profissional é criativo e associa essa habilidade com conhecimentos técnicos, consegue se antecipar aos acontecimentos e sugerir soluções para mudar o cenário da área que atua. Inclusive, empresas exponenciais, como Netflix e Uber, são resultados que nasceram de processos criativos associados à expertise do negócio.

Liderança

A liderança é uma habilidade essencial para lidar com um grupo de pessoas com necessidades, cultura e opiniões diferentes. Essa mistura está ainda mais presente no ambiente de trabalho atual devido ao encontro das três gerações: X, Y e Z. Para liderar esses profissionais, o gestor precisa ter uma abordagem horizontal para estimular a colaboração na equipe e gerenciar processos baseados em planos de ação.

Entretanto, por mais que as pessoas vejam a liderança por um âmbito entre gestor e colaborador, ela também é fundamental para proatividade, organização pessoal e autogerenciamento. Por esse motivo, torna-se necessária independente do cargo, porque proporciona um fluxo de trabalho fluido sem a necessidade de cobranças frequentes para o desenvolvimento das tarefas.

Inteligência emocional

Ter um colaborador capaz de identificar as próprias emoções e lidar com as emoções das outras pessoas é o ponto de apoio para um ambiente saudável. Com esse clima, a empresa consegue estimular o relacionamento interpessoal e construir equipes engajadas e produtivas. Estamos falando da inteligência emocional, uma competência essencial para fazer isso acontecer.

Segundo Daniel Goleman, especialista em ciências comportamentais e também conhecido como o pai da inteligência emocional, ela é aprimorada por meio de novos hábitos que compreendem outras 5 áreas principais, que são:

  • autoconhecimento;
  • autogerenciamento;
  • motivação;
  • empatia;
  • habilidades sociais.

Quais os benefícios para a empresa que seleciona por competências?

Diferente dos processos tradicionais, a seleção por competências permite identificar o conjunto de características, tanto pessoais quanto técnicas e comportamentais, do candidato. E isso proporciona uma série de vantagens para alcançar resultados com mais velocidade. Veja os principais.

Agilidade no processo

Um recrutamento e seleção sem planejamento estruturado e mapeamento de perfil tende a ser mais trabalhoso e cansativo, uma vez que o RH não tem indicadores que sinalizam qual o candidato ideal. Logo, pode escolher por achismo. Em contrapartida, a seleção por competências é mais objetiva, tornando o processo prático ao seguir um fluxograma em busca das características necessárias.

Contratação de sucesso

Ao analisar as competências, fica mais fácil avaliar o desempenho do candidato em relação ao cargo e qual o seu potencial para alcançar os resultados esperados pela organização. Além disso, também é possível saber se a empresa atende as expectativas do candidato, afinal, sem esse alinhamento ele pode se frustrar, criando um ciclo interminável de recrutamento.

Redução da rotatividade

A alta rotatividade é o principal indicador de problemas no processo de recrutamento e seleção, pois, se os colaboradores não permanecem na empresa por algum motivo, é sinal de que as expectativas de ambos estão desalinhadas. Então, ao selecionar por competências, o RH se baseia em fatos mensuráveis para guiar a contratação, diminuindo as chances de erros.

Como colocar a seleção por competências em prática?

Antes de contratar por competências, a empresa precisa listar quais os atributos necessários para alcançar o sucesso em cada função e, por consequência, na organização. Depois, é necessário mapeá-los, identificando o que a empresa já tem e o que falta para compor o conjunto. Com base nessa estrutura, é criado um planejamento, como veremos a seguir.

Crie o perfil da vaga

O perfil da vaga fornece uma visão de como seria o candidato ideal. Ele precisa ser criado junto ao requisitante do cargo — que, na maioria das vezes, é o gestor da área —, porque ele conhece as tarefas que serão realizadas, podendo indicar quais são os conhecimentos essenciais. Além disso, também é importante analisar cultura, missão e valores organizacionais.

Identifique as competências necessárias

Cada competência pode ser identificada de uma maneira diferente. Por exemplo, enquanto o conhecimento pode precisar de testes voltados para a área, as habilidades exigem demonstrações práticas que indicam quais serão os hábitos do candidato ao desempenhar as funções do cargo. Isso significa que o RH precisa ser ainda mais estratégico para descobrir a melhor maneira de obter essas informações.

Alinhe o processo seletivo em busca das competências

As competências buscadas no candidato devem estar presentes em todas as etapas do recrutamento e seleção, tais como:

  1. anúncio da vaga;
  2. captura e triagem de currículos;
  3. testes e dinâmicas;
  4. entrevista.

Por isso, é importante focar nelas durante o planejamento de cada etapa, uma vez que os recursos escolhidos são imprescindíveis para atrair candidatos qualificados, isto é, com as competências necessárias para a organização.

Por que contar com uma empresa para a seleção por competências?

Selecionar por competências é uma prática eficiente para a empresa encontrar o candidato com o perfil determinante de sucesso. Entretanto, pode exigir ainda mais do RH, que precisa se habituar ao modelo e ganhar experiência na criação de métodos que identifiquem essas características nos candidatos.

Por esse motivo, em vez de investir com treinamento de capacitação e esperar o tempo necessário para os profissionais conquistarem esse know-how, terceirizar o processo pode tornar o recrutamento e seleção mais prático e evitar a sobrecarga do RH. Além do mais, proporciona economia para a organização, que não precisa aumentar o quadro de funcionários, reduzindo custos com vínculos empregatícios.

Com essa prática, a empresa tem mais tempo para focar nas atividades principais e se concentrar em ações estratégicas, por exemplo:

  • planejar objetivos e metas empresariais;
  • estabelecer indicadores de desempenho;
  • promover ações de melhoria do clima organizacional;
  • criar processos operacionais ágeis.

O recrutamento e seleção por competências é uma prática que permite aumentar as chances de sucesso na contratação. Isso é possível por meio de um mapeamento das características indispensáveis para o cargo, permitindo que a empresa encontre o candidato capaz de alcançar os resultados esperados.

Mas também, é uma estratégia que deve ser feita por pessoas com capacidade de identificar as competências necessárias para o crescimento do negócio e planejar ações que encontrem esses talentos no mercado. Portanto, investir na terceirização de empresas especializadas pode ser a melhor opção para evitar prejuízos com erros na contratação e garantir uma seleção certeira.

Percebe como a seleção por competências pode tornar o recrutamento mais eficiente? Então, compartilhe este post nas suas redes sociais e leve esta informação aos seus amigos também!

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Abrir WhatsApp
Precisa da gente?
Olá! Podemos te ajudar?
Powered by